O Rei e a Bruxa


O Rei e a Bruxa

Era uma vez um Rei muito bom, que fazia de tudo o que estava ao seu alcance para proteger a todos do seu reino. Mas um dia ele se casou com uma bela e exuberante mulher.

Seus homens disseram-lhe que ela era boa e o que sua vida em crise precisava, e foi por isso que ele se permitiu amá-la cada dia mais.

Só que, um dia, a agora Rainha mostrou-lhe quem realmente era: por baixo dos penetrantes olhos azuis, da pele branca e limpa, dos cabelos cacheados e sedosos, havia uma bruxa.

Quando o Rei se deu conta do monstro que colocara para governar seu reino, não pensou duas vezes em acabar com o casamento, mas a bruxa velha tinha um segredo que o faria tomar a maior decisão de sua vida, ela estava grávida.

O soberano então decidiu que não faria nada contra a mulher, não ainda, e suplicou que a mesma mantivesse seu feitiço, o que escondia seu verdadeiro eu. Ela concordou e durante nove meses gerou a criança.

Nesse tempo, o Rei evitou contato com a bruxa dentro de sua fortaleza impenetrável que era o seu castelo, apenas mãos dadas quando tinham de ser vistos em público, mas todos os criados sabiam que o casal estava estranho, alguns até suspeitaram que a criança no ventre de sua majestade fosse de outro homem que não o Rei.

A bruxa sabia que a alteza faria algo para afastá-la de seu bebê, por isso exigiu que o parto fosse realizado por uma conhecida dela, cujo nome ser nenhum do reino ouvira antes falar.

O dia em que seu filho iria nascer chegou, com as dores. A parteira logo veio, com uma trouxa cheia de panos nas costas. Trancando-se no quarto, a mulher fez o parto da bruxa, que segurou a criança nos braços e olhou-a bem no fundo dos olhos enquanto podia. Sua conhecida foi embora, mas ninguém notou que sua trouxa nas costas parecia maior.

O Rei entrou no quarto e tomou a criança, uma linda menina, dos braços do que todos achavam ser uma linda Rainha e no mesmo momento acusou-a de traição, revelando seu segredo, fazendo com que todos soubessem que ela era uma bruxa.

A mulher foi banida do reino, sem direito a nenhum bem do Rei, e a criança recebeu a visita de uma curandeira que garantiu que a mesma não era feiticeira como a mãe. O Rei voltou à sua vida infeliz de antes, agora com uma criança.

O que ninguém nunca soube foi que a Rainha estava na verdade grávida de gêmeos, ficando com um dos bebês para si, pois já esperava que o Rei a expulsasse.

Quem era o mal da história: a bruxa que utilizou de feitiçaria para esconder sua feiura sem ferir a ninguém ou o Rei que separou uma mãe do seu próprio filho?

(Jhonatan Veloso)

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