130 anos
"Hoje eu tenho 130 anos, isso não estava nos meus planos." Comecei a envelhecer mais depressa quando passei a dar mais valor às palavras duras, palavras de afronta, palavras sem cor, carregadas de horror e que me causavam dor. O tempo passa mais depressa quando você se deixa abater por palavras ruins, você envelhece tão mais rápido, vai perdendo o gosto pelas coisas que antes te faziam sorrir e que até te distraíam.
Então eu a conheci, mas... "Mas eu penso quanto mais velho estou me tornando." A cada briga, a cada discussão, a cada lágrima derramada, a cada dia que se passa, a cada noite em que passo horas deitado ao lado de alguém que não é quem eu quis para mim. Ou seria eu que não quero mais ninguém, de tão velho que me tornei?
Estou tão velho, não me sinto feliz, a felicidade parece cara. Tão cara! Mas... "Caro é transformar-se num arremedo de si próprio a ponto de nem se reconhecer mais." E eu não me reconheço, perdi minha juventude tão rapidamente, já estou tão velho por dentro, o ser que fala não sou mais eu.
Velhice maldita, 130 anos mal vividos, vou para a ponte. Estou sentindo o vento soprar sob meus braços que são como asas agora. "Esse vento sob minhas asas... Eu não mando mais em nada, sei que é alto, mas eu vou pular." Vou contar até três e sentir o vento acelerar-se sobre mim. Mais uma vez, vou me lembrar de tudo o que ouvi, tudo o que deixei me abalar, das escolhas erradas que fiz, dos pensamentos que deixei de ter e do caminho que segui que me levou a isso. É, cheguei ao fim da vida, tão velho por dentro, inteiramente cansado, terrivelmente sufocado pelo mundo e por mim mesmo. Hora de partir...
Um, dois, três.
(Jhonatan Veloso)
***
Crônica baseada nas músicas "130 anos", da Pitty, e "The Older I Get", da Skillet.
Obs.: As partes em parênteses e itálico são trechos retirados das músicas.
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