Para amar ao som de dor
Nos conhecemos no segundo dia de aulas do ensino médio. Você sorriu de um modo bobo para mim quando nos esbarramos sem querer e ainda pediu desculpas. Mas foi só no terceiro dia que passei a sentar atrás de você na turma. Eu era novo ali, enquanto você já estava por dentro de tudo. Ficamos próximos no dia em que você me pegou chorando nos fundos da escola, e me fez sentir como se eu fosse a pessoa mais especial do mundo.
Desde então, uma coisa estava certa entre nós dois: éramos amigos. Mas as coisas foram mudando conforme o tempo ia passando. Ficávamos mais próximos até que eu me descobri numa situação digamos que um tanto complicada: eu estava apaixonado por você. Nunca tive coragem para te dizer, o eu de personalidade forte e determinada morria nessas horas. E você continuava me seduzindo, mesmo sem perceber, até com um simples sorriso.
Você foi o meu primeiro amor, e foi também a minha primeira obsessão. Eu ficava acordado horas e horas esperando uma mensagem tua e quando ela chegava, meu coração disparava. Eu olhava para a sua foto quase sempre antes de dormir para ter certeza de que não seria atormentado e de que, contigo, teria os mais belos sonhos.
Você foi o meu primeiro amor, e foi também a minha primeira decepção. Lembro como hoje do dia em que te peguei aos beijos e embalos com outra pessoa, outro alguém que não era eu. Isso doeu e eu fui egoísta, como todo ser humano é, desejando ter você só para mim. Eu queria sua felicidade, mas queria mais ainda que ela se concretizasse comigo.
O ensino médio acabou e mesmo que nós dois tenhamos essa relação de amizade forte como rocha, nunca tive coragem de me abrir sobre o meu sentimento com você. Eu ainda lembro, eu ainda te quero, eu ainda te desejo. Pena que não sou forte para admitir isso fora da minha mente.
Você foi o meu primeiro amor - só que às vezes o que sinto é tão forte que acho que você será também o último.
(Jhonatan Veloso)